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id da página: 3429 Marías Heráclito Heráclito

Marías Heráclito

Julián Marías — Excertos de Heráclito

Heráclito de Éfeso, na Ásia Menor, é aproximadamente contemporâneo de Parmênides, embora filosoficamente deva ser considerado seu sucessor, pelo fato de mover-se dentro da dialética parmenídica do ser e do não ser. Foi chamado o obscuro, por seu estilo breve e alusivo, muitas vezes difícil de interpretar-se. Heráclito entende a realidade como algo que varia de um modo constante, que flui como um rio, que nunca é o mesmo que antes. É como um fogo — o elemento mais móvel e ativo — que continuamente se acende e se apaga. A alma melhor é a que se assemelha ao fogo, a mais seca; sua inferioridade consiste em fazer-se úmida como o barro ou converter-se em água.

Mas, por outro lado, o homem participa de um certo princípio chamado sophón — o "sábio" —, que é uno, sempre e separado de todas as coisas. Pelo nus, o homem tende ao sophón — cujos predicados coincidem com os do ente de Parmênides — e assim é philósophos, filósofo.

"Heráclito diz que a alma é uma centelha da substância estelar." (Macróbio, Sonho de Cipião, I, 14, 19.)

"Para as almas, se converterem em água é a morte; para a água, tornar-se terra é a morte. Porém da terra se faz a água; da água, a alma." (Fr. 36 de Diels.)

"Todas as coisas que vemos despertos são morte; as que vemos dormindo, sonhos (mas as que vemos mortos são vida)." (Fr. 21 de Diels. A frase entre parênteses é um complemento de Diels, que supõe uma escala psíquica: vida, sonho, morte, paralela à física: fogo, água, terra.)

"Procurei-me a mim mesmo." (Fr. 101 de Diels.)

"Não encontrarás os limites da alma, ainda que avances por todos os caminhos; tão profunda é sua medida." (Fr. 115 de Diels.)

"Ao morrerem os homens, aguardam-lhes coisas que não esperam nem imaginam." (Fr. 27 de Diels.)

Os fragmentos de Heráclito foram publicados em uma excelente edição por Bywater. Pode-se consultar também Diels: Herakleitos von Ephesos: griechisch und deutsch.